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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Trecho do livro "Ler, escrever e fazer conta de cabeça" do autor Bartolomeu Campos Queirós


"Um dia fiz uma redação sobre o mundo verde e o mundo azul. Mostrei para meu pai, na certeza de estar no caminho do encontro. Ele não entendeu nada nem me disse estar no caminho da gratidão. Cheguei a desconfiar ser a gratidão uma coisa pequena que se guardava no bolso ou debaixo do travesseiro junto com o papel da maça. Eu tinha a palavra, mas não sabia onde estava o significado." Bartolomeu Campos Queirós

terça-feira, 10 de março de 2009

Comentário do livro Indez do autor Bartolomeu Campos Queirós


"Em meio aos pequenos acontecimentos, o receituário cuidado, só do cotidiano, como se prepara cada coisa para cada tempo, cada festa, cada brincadeira, como se curam as doenças, como se cantam as canções da chuva e do sol, como se nasce, como se parte. Neste receituário, a intimidade abre a porta do saber universal, remoto, de um mundo pequeno onde as coisas essenciais são fabricadas artesanalmente, e os sentimentos são vividos junto com o fazer, na essência dele. Descrevendo o artesanato da infância, a sua narrativa também é artesanal. Explico-me ela é obra do narrador e esculpe com os gestos da memória a infância. Não se trata de texto sobre criança; trata-se de reconstituir a infância, preservá-la da dor de crescer, quando já se pode, afinal, crescer... o que é, sem dúvida alguma, trabalho complexo, de maturidade." Sônia Maria Viegas

Trecho do livro Por parte de pai do autor Bartolomeu Campos Queirós

"Minha cama ficava no fundo do quarto. Pelas frestas da janela soprava um vento resmungando, cochichando, esfriando meus pensamentos, anunciando fantasmas. As roupas, dependuradas em cabides na parede, se transfiguravam em monstros e sombras..." Bartolomeu Campos Queirós